Por onde vou e toco o coração do belo, sempre há ao menos um amarelo a pôr foco nos meus olhos dispersos. Amarelo não é só uma cor. É luz e  movimento. É tão fácil de amar à primeira vista! Ela tira-me do torpor do não espanto. Mesmo assim tenho que cuidar de não me render aos apelos distrativos do seu encanto natural e à vontade de permanecer pela insistência com que que cultivo o hábito de interromper vôos.

Sim, o amarelo, por vezes, me deixa alheia a tudo que não passa pela estrada de tijolos amarelos, e, vou lhes dizer, há momentos em que morar nas nuvens me deixa com a língua de fora.

Por isso, prefiro guardar o amarelo que me inspira otimismo, o amarelo que me aguarda respirar fundo, que dá margem à tristeza, mas que não me deixa olhar triste o tempo todo. Tudo vai dar certo, está certo.  

O meu amarelo é assim:  uma eterna manhã, com céu claro, poucas nuvens, sujeito às turbulências, mas sempre com uma brisa no rosto ao fim de tudo.  

Share: