A arte de gostar: das músicas lentas

- A arte de gostar

A photo by Lee Campbell. unsplash.com/photos/1w1OMV8CEeMToda a vida curti músicas lentas. Eu me apaixono rapidinho pela narrativa sensível que entoam. Confesso que elas tocam em um lugar menos refinado de mim, onde mora o sofrer desbragado, a fossa sem disfarces. Gosto também daquelas canções que saem brutais por tanta afetividade demonstrada, que repercute na mente o resgaste das imagens perdidas, do que vem de longe e nunca fica. Na maioria das vezes, as ouço sem necessariamente estar triste ou melancólica. Só quero o clima. Só quero as imagens que não se desgastam do tanto ouvir e ouvir. Ainda que a memória insista em trazer os parceiros de dores e amores, a música lenta costumeiramente me convida para dançá-la só. Ou, quando muito, no canto solo e solto de chuveiro. Mas, ainda assim, ela não me obriga a escancará-la. A comoção do terremoto sentimental explode em silêncio. Ninguém sabe o que se passa a dentro. O instante é meu. Somente meu.

Mas, hoje, só por hoje resolvi expor no balcão, numa espécie de promoção sem motivo, uma seleção de músicas lentas. Selecionei sobretudo as que, ultimamente, me calam profundo.

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Não há voz que me emocione mais do que a de José Feliciano. Fenômeno inexplicável. Apenas sinto.

Uma breve introdução ao piano e já me dou conta do quanto sou melodramática.

Essa cabe em qualquer momento. Nem precisa pedir licença que eu faço sala o dia todinho.

Essa música deu corda no coração. Só pode. Basta os primeiros acordes para que eu me renda.

A mais sofisticada da lista. O que não soa elegante na voz dessa mulher?

Essa é a mais tristonha. Mas me leva para um estado de contemplação do qual a minha alma se agrada.

Não podia faltar aquele blues para traduzir os meus momentos de introspecção.

E você, curte músicas lentas também? Qual é a sua seleção? Diga aí! Vou amar conhecê-la.

 

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