Toda a vida curti músicas lentas. Eu me apaixono rapidinho pela narrativa sensível que entoam. Confesso que elas tocam em um lugar menos refinado de mim, onde mora o sofrer desbragado, a fossa sem disfarces. Gosto também daquelas canções que saem brutais por tanta afetividade demonstrada, que repercute na mente o resgaste das imagens perdidas, do que vem de longe e nunca fica. Na maioria das vezes, as ouço sem necessariamente estar triste ou melancólica. Só quero o clima. Só quero as imagens que não se desgastam do tanto ouvir e ouvir. Ainda que a memória insista em trazer os parceiros de dores e amores, a música lenta costumeiramente me convida para dançá-la só. Ou, quando muito, no canto solo e solto de chuveiro. Mas, ainda assim, ela não me obriga a escancará-la. A comoção do terremoto sentimental explode em silêncio. Ninguém sabe o que se passa a dentro. O instante é meu. Somente meu.

Mas, hoje, só por hoje resolvi expor no balcão, numa espécie de promoção sem motivo, uma seleção de músicas lentas. Selecionei sobretudo as que, ultimamente, me calam profundo.

Não há voz que me emocione mais do que a de José Feliciano. Inexplicável. Apenas sinto.

Uma breve introdução ao piano e já me dou conta do quanto sou melodramática.

Essa cabe em qualquer momento. Nem precisa pedir licença que eu faço sala o dia todinho.

Essa música deu corda no coração. Só pode. Basta os primeiros acordes para que eu me renda.

A mais sofisticada da lista. O que não soa elegante na voz dessa mulher?

Essa é a mais tristonha. Mas me leva para um estado de contemplação do qual a minha alma se agrada.

Não podia faltar aquele blues para traduzir os meus momentos de introspecção.

E você, curte músicas lentas também? Qual é a sua seleção? Diga aí! Vou amar conhecê-la.

Share: