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Filmes: A bailarina

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Um resumo rápido. O filme é sobre uma menina, Felicie, que foge do orfanato para viver o sonho de ser  bailarina do Opéra de Paris. Sem mais preâmbulos, segue abaixo a minha opinião.

Olha, gente, eu nunca fiz uma aula de Ballet na vida. Não sei executar um movimento sequer. Sou uma apreciadora, das mais leigas. Isso não me impede, e a qualquer pessoa do mundo que nunca se interessou por Ballet na vida, de ter por certo de que fazer parte de tal métier requer o compromisso com um dos treinamentos mais rigorosos do mundo. Nunca ouvi dizer de uma bailarina (ou bailarino) cuja trajetória profissional não fosse acompanhada de muito treino, esforço, dedicação, disciplina e de todo os componentes que atestam uma carreira longeva de sucesso.

Mas aí, vem um desenho animado e mostra o inverso. Vou dizer uma coisa: tenho uma  certa implicância com a tal narrativa dos sonhos baseada na fórmula “querer é poder” sem levar em conta os meios que implicam a realização do desejo. Essa mentalidade é bastante corrente nos filmes, nos romances literários, e também enraizada no senso comum. Para mim, no entanto, considero perigosa a soberania da vontade.

Claro que a vida comporta os sonhos, os quais devidamente conjugados à  persistência podem se converter em realidade. Mais do que se tornar real, a concretude do sonhos deve envolver responsabilidade e …ser digna de aplausos. Do aplauso da nossa consciência, a nossa plateia interior. É como canta a canção:

“Não é sobre chegar no topo do mundo e saber que venceu/ é sobre escalar e saber que o caminho te fortaleceu”.

Chegar lá, sim. Mas sem fazer corpo mole. Não à custa dos direitos alheios, mesmo que o outro seja um ser desprezível de marca maior. Chegar lá, sim. Mas não como se fosse  uma catástrofe de grandes proporções se  frustrar na vida e passar por interdições ao longo do caminho.

O desenho perdeu a vez de dizer que, embora existam as mais altas expectativas, o fracasso é passível de acontecer. Não que seja o fim, simplesmente pode ser um “agora não”. E mesmo que seja  um “nunca mais” é válida a experiência da frustração e da surpresa de reconhecer em nós a capacidade da reconstrução, do renascimento. Diante de situações assim, ouça Quintana: ” Se as coisas são inatingíveis, não é motivo para não as querer. Que triste os caminhos se não fosse a presença mágica das estrelas”.

Viver sonhos requer espírito, bom ânimo para que não caiamos no vício da amargura. Viver sonhos requer força física, vontade de arremesso, perseverança…habilidades que a protagonista não soube demonstrar no filme.

Além de passar a perna em uma colega, ela desiste de ensaiar na véspera de uma audição importante, para sair com um garoto. Tudo bem. Todo mundo erra. Compreensível. Mas daí a  recompensá-la por sua autoindulgência, indisciplina, desrespeito para com os colegas e para com a profissão são outros quinhentos. Mas, ela é talentosa. Dança com a alma. Tem paixão. E isso basta. E a técnica? E a competência moral? Foram pro beleléu!

Gente, olha só. Sonhos não se equivalem “a minha vontade, somente ela, pra ela, por ela e ponto final”. Caso contrário, o que se tem é a inquietude sem interioridade. Vontade sem alma. Sonhos sem consciência.

Mas os sonhos entendidos por apenas “seguir o coração” tendem a apresentar esses desvios.  Eu não gosto da expressão, a considero enganosa. Seguir o coração quase sempre  representa escravidão à nossa própria  vontade. Algo que funciona assim: não importa como e a despeito de quem, precisamos  alimentar aquela sensação gostosa de sermos recompensados pelo esforço que fazemos.

Eis a grande questão a que o roteiro faz vista grossa. O prazer como meio e como fim acaba por respaldar a vontade incontrolável  da protagonista de ser recompensada.

 Felicie usa de expedientes escusos para conseguir um lugar ao sol no mundo do Ballet. Embora descoberta, não há sequer espaços para a reflexão acerca dos seus erros e da preparação do espírito para o arrependimento. O seus atos são justificados pelo simples motivo de que é uma apaixonada pela dança. Resumo da ópera: tudo fica por isso mesmo. Além dos passos de ballet, o que de fato ela aprendeu sobre movimentar-se na vida?

Eu só penso que o caminho deve ser tão ou mais belo que a chegada. Felicie chegou lá. Num zás-trás que não corresponde a realidade da progressão de carreira do mundo do Ballet, e, claro, sem aprender a sonhar.  Pois “sonhar é acordar para dentro”. Mais uma cortesia de Quintana.

1. Veja bem:  O treinamento de Felicie ocorre fora do ensino formal do Ballet. Ela tem de correr atrás do tempo perdido para se nivelar às suas colegas e concorrentes de turma. Então,  quando o assunto é treinamento de efeito visuais, entra em cena a metodologia do saudoso Sr. Miyagi. É o ensino  karatekidiano fazendo escola.

2. Toda ouvidos: Quando o corpo atende a necessidade da alma em busca do divino, quando alma e corpo suspiram pelo que vem do alto, a entrega se dá a olhos vistos. Baseada nas belas imagens evocadas pelo Salmos 42 e pela benção de Jacob para o seu filho Naftali (Gênesis 49:21), a  animação de autoria de Glen Keane, animador dos estúdios Disney,  é algo muito lindo de se ver.

3. Mete o nariz: Aproveite e dê uma olhadinha nesse adorável curta-animado para adultos. “Ballerina on the boat” (1969) do animador russo Lev Atanamov, com a coreografia feita por bailarinos do Bolshoi.  Que bailarina linda, etérea e, olhe só, ainda tira onda de super-heroína. Tudo canta e dança nesse filme:  Veja! Veja!

4. À flor da pele: Coleção de imagens belíssimas da Paris da 1880.

5, É de dar gosto: A animação apresenta um belo retrato da paisagem urbana de Paris. Uma recreação à parte.

Filmes: três histórias sobre encontros que transformam a vida

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A pequena lista privilegia os filmes que não só cantam como encantam. Um larilarilalá por segundo, e alma vai ficando mansinha, mansinha. E se há música, porque não o apetite pela fama? A prefaciar tudo isso, claro, a velha companheira de luta desde a Disney: a narrativa do sonhos, mais popularmente conhecida como “cantar, dançar, ser e aparecer sempre foi o meu sonho”.  Mas não são esses os elementos que explicam a reunião de tais filmes nesse post. A possibilidade de sonhar juntos com o fim de construir a realidade desejada es lo que tenemos acá.

1. La la land

 

Eu me segurei para não tascar mais um “la” ao título já cantante por si só. O filme, envolvente, tem uma plástica linda. A história fala sobre o encontro entre a atriz Mia e Sebastian, um músico de Jazz. E o que se segue, a partir de então, é o climão de “vai dar romance” até que entendamos que, no meio do caminho…bem, o clima romântico não disfarça: a aliança inegociável é com a ambição. Como diz a canção “Someone in the Crowd” “seja uma pessoa pronta para ser encontrada por alguém na multidão que, por sua vez, a levará aonde você quer realmente ir”  e extraia desse encontro o que é importante apenas para si mesma. Sem culpas ou ressentimentos. Para fins desse post, o que interessa aqui é que a relação entre os personagens serviu como meio para o alcance dos objetivos almejados. E a ausência da contrapartida esperada pelo respeitável público não muda o fato de que, mesmo sem oferecer nada em troca,  pessoas passam por nós e modificam alguma coisa. No melhor estilo “faça sempre ao contrário do que esperam de você”, La la land, certamente é um filme que desafia as nossas expectativas.

2. Mesmo se nada der certo

 

Já falamos sobre ele aqui ó.  Quem viveu um dia ruim,  sabe o quanto é fácil passar-se despercebido em meio à multidão presa à euforia cotidiana do “nada está acontecendo, mas façamos de conta que está”.  Em dias assim, seria bom encontrar quem sintonizasse na sua frequência e captasse o seu grito de socorro.  Nesse filme,  a ajuda é mútua. O interesse compartilhado é o de olhar sim para os sonhos, sem esquecer-se  do outro que está lá: na dependência de sua própria má companhia, pouco consciente de que precisa de alguém que lhe estenda a mão. Para acompanhar a boa música criada pela sintonia fina entre Gretta e Dan, o longa traz à luz a escuta atenta aos sons que a alma toca.  O filme é sobre encontrar gente com histórias e experiências que nos ajudam a transformar os tombos de percurso em algo aproveitável na vida.


3. Apenas uma vez

 

Por último, e o mais lindo a meu ver, o filme fala com simplicidade e despretensão da arte do encontro. Aqui a relação se dá na perspectiva da entrega. Há o sonho, mas acima dele, há a vida e, claro, as pessoas que amamos. A fórmula do encontro é usada para unir os protagonistas ao objetivo comum de construir um caminho. Sabe quando alguém aponta o dedo em determinada direção a fim de lhe mostrar algo? A mensagem não está no dedo. Está no alvo indicado, seja ele um caminho, o horizonte, a lua ou as estrelas. Tudo bem, é certo: até que ambos os personagens compreendessem a melhor formar de encontrar o caminho,  olhavam apenas para o dedo como se fosse a única solução cabível. Mas no fim sobressai-se o fato de que as histórias distintas dos protagonistas e os seus próprios sonhos não os impediram de apoiar-se um no outro de forma desprendida e desinteressada. Por fim, o olhar maduro sobre a vida revela a importância de cultivar os sonhos com jovialidade e realismo.

That’s all, folks! Gostaram da seleção? Agora, queremos saber. Dentro do tema abordado nesse post, quais filmes você indica?

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Filmes: Argo

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Eu amo ver filmes cujo final já é sabido de todo mundo.  Estou falando daqueles baseados em fatos reais. Não são só os filmes de linha totalmente ficcional os únicos a contar com a surpresa. Aliás, a vida como ela é tende a ser a detentora das melhores cartas na manga. Não à toa, terminei o filme convicta de que Argo e toda a história que o circunda são o próprio espanto.

Instigou-me a curiosidade pelo enredo a revelar o implausível. Imagine uma ideia fadada ao fracasso posta em prática? Se você pensa ser um caso grave de estupidez rematada, repense os seus conceitos, pois a necessidade imperiosa de salvar a própria pele, minha gente, nos leva a fazer coisas que o mundo duvida. De modo que fazer com que seis diplomatas americanos, refugiados na embaixada do Canadá sediada no Irã, passem por uma equipe de produção cinematográfica de Hollywood com o objetivo de sair em segurança do país, pode ser a pior ideia da paróquia, mas, afinal, convenhamos, não tem tu, vai tu mesmo.

Ben Afflec faz o especialista em exfiltração, Toni Mendez, o dono da bendita melhor entre as piores ideias de resgate pensadas para aquela situação específica. Fiquei impressionada com o Afflec. Nunca o vi como um grande ator, mas, dessa vez, notei o quanto parece levar o ofício a sério. A introjeção do ator em um personagem que, por força da missão a realizar, se quer despercebido, foi magnânima.

Mas, no fim das contas, a história é mesmo a estrela principal do longa. É a real protagonista. Vale a pena conferir.

1. Veja Bem: O episódio relatado no filme ficou conhecido como a “Crise de Reféns em Teerã”, ocorrida em 1979. Durante o governo do presidente americano Jimmy Carter, Iranianos invadiram a embaixada americana, pressionando os EUA a cumprir a extradição do Xá Reza Pahlavi, asilado na embaixada americana desde quando da sua derrubada do poder após a revolução islâmica.

2. À flor da pele: Que filme. As mais tensas vibrações no ar, recebi-as todas a cada segundo do longa que parecia não terminar nunca.

3. Toda ouvidos: Em nome da verdade, vale mencionar o co-protagonismo dos canadenses na libertação dos fugitivos, especialmente o auxílio do embaixador do Canadá no Irã, Ken Taylor, que abrigou os fugitivos americanos em sua casa, por meses a fio e à risco de sua própria vida.

4. Mete o nariz: Argo foi lançado bem na época do trágico atentado à embaixada americana na Líbia em 2012 no que se tornou conhecido como “Caso Benghazi”. Recentemente, com as eleições americanas de 2016, O caso Benghazi voltou a circular nos noticiários. Emails da conta pessoal de Hillary Clinton, então secretária de estado de 2009 a 2013, apontam que ela sabia do perigo ao qual os americanos estavam expostos em Benghazi, na Líbia e, mesmo assim, impediu a retirada da missão diplomática de lá. No atentando morreram o embaixador americano e mais três funcionários. O lamentável episódio é também relatado no filme “13 horas – os soldados secretos de Benghazi que conta a resposta americana ao ataque terrorista.

5. É dar gosto:  As pesquisas pós-filme são uma boa pedida para se aprender um pouquinho sobre o tema. Nessas incursões, acaba-se conhecendo as omissões dos fatos e as inserções inverídicas apresentadas no longa. Por exemplo, não é em Argo que você ficará sabendo que quem negociou a libertação dos fugitivos foi na verdade Ronald Reagan, que nem presidente era ainda.