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Guia BSB: Cícero Dias- Um percurso poético

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Cícero Dias – Eu vi o mundo…ele começava no Recife

Abracadante! Só mesmo um adjetivo inventado para descrever a arte de Cícero Dias. O autor do adjetivo? Manuel Bandeira, admirador do pintor-poeta pernambucano cujo invejável estilo singular granjeou adoradores dentro e fora do Brasil. A poesia de Dias é assim como se vê. Feita à pinceladas. Com registros arrojados, claramente meditados e vestidos de espírito.

A espontaneidade, traço marcante de sua pintura, salta à vista. Embora o caráter espontâneo seja a marca de Cícero Dias,  o apuro requintado está lá a definir o rigor e a disciplina do artista. Delícia deitar os olhos vagarosamente pelas obras do pintor. Um passeio que recompensa a alma.

Embora leiga, sou amante da arte e faço gosto do meu olhar esteta sempre em busca da beleza essencial.  E o tesouro que tive diante dos meus olhos, por breves horas, toca pela sua beleza.

Em cada pincelada, em cada pontinho de cor e luz, Cícero Dias traz algo novo: o sopro da novidade perene. É empolgante! É como se travessuras brotassem de dentro de seus quadros. Veja a pintura “Bagunça”  e me diga se não é a coisa mais linda de se ver o modo nada enquadrado, com perdão do trocadilho, com que Cícero Dias parece ver o mundo. O quadro parece conter tudo no nada das atividades prosaicas do dia-a-dia.

Cicero Dias – Bagunça

O modo não cristalizado e amansado de ver revela muito de Cícero Dias. Esse é o cerne da sua poesia capaz de apanhar a intuição pura para flagrar os melhores momentos eurecas que esse mundo já viu. E o que se vê reproduzido é o inesperado. A perfeita tradução da vida em movimento é o que mais me agrada na arte de Dias.

Ao longo da exposição, o contexto histórico e biográfico do pintor exerce grande influência em suas escolhas artísticas. Onde há a arte, há a liberdade, há múltiplos caminhos. Sendo assim, vale ressaltar que, em cada período de sua prolífica produção artística, Dias ultrapassa-se como artista. Mas, embora entenda que a arte se quer liberta para atingir a sua perfeita expressão, não contive o meu lamento ao tomar conhecimento da fase da abstração plena adotada pelo pintor. Tenho dificuldades em apreciar a vertente na qual não consigo ver poesia.

“Cícero Dias, com todo respeito, volte duas casas em direção aos temas irônicos e irreverentes e ao lirismo da figuração, reincorpore aquele menino louco tão caro a Manuel Bandeira”.

 O meu lamento durou pouco porque, invadido pela saudade do retorno, Dias volta à figuração com sabor de origem e de reencontro. É como eu disse. O cara não se deixa enquadrar. Em Cícero Dias tudo se movimenta.

No fim das contas, fui à exposição, mas ainda não voltei. Estou lá, embriagada de epifanias.  Eu vi o mundo…ele começava no Recife e ainda estou lá com a alegria de criança estampada em meu rosto.

Veja bem: O CCBB Brasília é um dos lugares mais convidativos de BSB. Além das exposições, há toda a extensão de verde e a brisa que nos convida para os muitos pretextos do lazer. ” A exposição Cícero Dias – Um percurso poético”  está lá e segue até o dia 03/4.

Toda ouvidos: Bem disse Eça de Queirós. Por detrás da criação do artista “há no homem – nervos, fatalidades hereditárias, sujeições às influências determinantes de hora, alimento, atmosfera, etc.; irresistíveis «teimas» físicas, tendências de carnalidade fatais; resultantes lógicas de educação; acções determinantes ao meio, etc., etc. ”  Há toda uma trajetória de vida… também por isso que fiquei com muita vontade de ver o documentário “Cícero Dias, o compadre de Picasso”, uma produção de Vladimir Carvalho.

Mete o nariz: Ao longo da exposição, vamos nos enxerindo na vida do pintor pernambucano. Conheceu e se relacionou com expoentes ilustres do cenário artístico brasileiro e mundial. Só gente de peso: Picasso, Manuel Bandeira, Albert Einsten, Gilberto Freyre, Guimarães Rosa, Miró, Lucio Costa…e há mais. Muito mais. Na foto acima, vemos o pintor com o poeta Manuel Bandeira.

À flor da pele: Uma dos momentos mais belos da exposição é quando entramos em um pequeno recinto cujas paredes estão tomadas pela poesia “Liberté” de Paul Éluard. Essa poesia é muito significativa na história de Dias. Conta o período em que  se viu preso pelos nazistas, quando da segunda guerra mundial. A palavra liberdade grita no espaço exíguo, à maneira de prisão, daquele pequeno recinto. “Nada é capaz de aprisionar uma alma livre’ nos anima a poesia de Éluard. Vale a pena conhecer na íntegra a tradução do poema feita a quatro mãos,  por Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.

É de dar gosto: Ah, o verde. Na obra de Dias, o verde ressalta. Um chamamento a ir no fundo na síntese da natureza da obra do artista. Creio que ali está a semente da qual se origina a sua criação. Afinal, Cícero viu o mundo…e ele começava em Recife. Com todas as cores de Pernambuco.

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Guia BSB: Restaurante Bardana

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20160619_133513A primeira vez em que provei a comida do Bardana foi em um daqueles dias! O tempo,— espremido entre consultas médicas, odontológicas, comprinhas, entre outros compromissos—, corria louco.  Nesse dia em especial, eu estava em Taguatinga. Minha passagem por lá é sempre rápida, mas a pedido da minha irmã, passei na A Casa Brasileira para comprar um trio de sopeiras — lindo de viver! Com o horário de almoço disponível, aproveitei a vantagem de contar com o Alameda Shopping na vizinhança e corri para a praça de alimentação.  Já tinha em mente aonde e o que comeria. No entanto, no lugar onde costumava me servir da comida por quilo, havia um outro restaurante também self-service. Bardana, o nome. E a vender — olha que delícia! — alimentação saudável.

Não se discute que o ato de comer é coisa séria. Mas, alto lá! Que a ideia não se cristalize na ausência de sabor. A comida do Bardana contrapõe-se a isso. Das três vezes em que lá fui (duas delas no restaurante da 405 sul), a combinação comida natural e sabor serviu-me muito bem.

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Como não dá para falar de tudo, dedico o post aos seguintes destaques:

– O robalo com crosta de castanha está incluso na lista de coisas que quero comer toda vez que puder.
– A marca do Bardana é o sabor. Não conte com as saladas sem graça, típicas de restaurantes a quilo. Para quem aprecia variedade,  a bancada de salada pede o modesto ritual de escolher os temperos, grãos, molhos, entre outros ingredientes de modo montar a salada a gosto. O molho de mostarda e mel é o meu preferido.
– A torta integral de Banana é referenciada como a melhor de Brasília. Não tenho conhecimento algum sobre tortas que possa me servir de base de comparação. Só sei o que meu paladar sente e, desde que a provei, a delícia não pode faltar no meu prato.

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Até onde sei, há duas unidades do Bardana no DF. Uma no alameda Shopping, em Taguatinga e a outra na 405 sul. A decoração da primeira é uma gracinha. O da Asa Sul não fica atrás em aconchego. Tem a minha preferência por ser a mais próxima de casa. Mas, não só por isso: quando da primeira vez, fui com a minha família e fiquei muito feliz com atendimento. Os funcionários da casa, sempre que requisitados, foram solícitos e também proativos ao recomendar os pratos e as sobremesas do dia.

Infelizmente, não é sempre  que passo por lá. Quando dá certo de ir, sei que posso contar com o meu prato predileto em um ambiente convidativo onde o almoço não precisa passar às pressas. Afinal, para silenciar a agitação do dia-a-dia, nada como experimentar um bom e saudável ranguinho.

Onde encontrar:

405 Sul, bloco A – loja 22 – Asa Sul – Brasília Telefone: (61)3242-3532

CSB 02 Lotes 01 a 04 – Alameda Shopping (praça de alimentação) – Taguatinga

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Guia BSB: Mondrian e o movimento de STIJL

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O CCBB Brasília abriga até o dia 04 de julho a exposição Mondrian. Passear pelas obras do pintor holandês é mesmo uma experiência curiosa, reveladora de maravilhas e de um certo incômodo. Ao menos no tocante a mim.  Mas, claro fique: não sou nem um pouco entendedora de arte e o balanço mental do que vi atrela-se à minha condição de apreciadora comum.

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Aplaudi com os olhos a estética do neoplasticismo até mesmo influenciada pela familiaridade de sua composição artística. Afinal, não foi nem uma nem duas vezes que vi as linhas abstratas, mínimas e pragmáticas representadas com ênfase no cenário pop mundial. Aliás, quem nunca? Levando em conta esse contexto, o fato é que o produto em si me agrada pela estética minimalista e moderna que carrega em seus traços. Eu penduraria um de seus quadros ou cadeiras na minha sala na boa.  Usaria uma bolsa ou camiseta estampadas com a bela arte de Mondrian e os demais representantes da escola neoplasticista na boa.

Isso posto, reconheço a influência expressiva do movimento na cultura moderna, contudo, enquanto conceito filosófico, faço minhas ressalvas. Incomoda-me a ideia de uma arte totalmente abstrata  tida como verdade espiritual absoluta.

Sou dessas que consideram moderno o que se conserva atual apesar da passagem do tempo. E gostaria de vê-los também representados em seu estado concreto. Não concebo limitar a representação da forma natural de uma flor, de uma árvore, de um passarinho, de um ser humano a esse nível máximo de abstração, por mais moderno que esse possa ser.

Fiquei espantada ao descobrir que Mondrian ocupou-se em extrair camadas e camadas das formas naturais traduzindo-as em algo de difícil compreensão, ao menos para mim.  Por exemplo, em um de seus quadros não dá para distinguir um abraço humano, mas as linhas e retas assépticas que os compõe saíram de fato de um abraço humano . Impressionante! Sim, impressiona-me a criatividade dos neoplasticistas em descontruir o óbvio e desenquadrar tudo o que se instala na zona de conforto dos sentidos. Isso não discuto e aplaudo com entusiasmo. Mas, diante de uma frase proferida por Doesburg, um dos criadores do movimento, e que bem sintetiza o que pretendiam, a saber: “vamos despir a natureza de todas as suas formas e o que restará é somente o estilo”, descobri-me nada pragmática. Sou ultrarromântica. Não abro mão de uma dose saudável de sentimentalismo, da diversidade das cores e das curvas a representar as formas originais. Não descarto Mondrian e sua arte. Indiscutivelmente geniais. Mas, não compro a doutrina. Simples assim: como uma linha reta.

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colagem Mondrian 1. Veja bem:  A exposição apresentada de forma sintética e didática. Clique aqui e veja rapidão.
2. À flor da pele: Muito bem pensada a poesia de João Cabra de Melo Neto; é como um quadro de Mondrian. Segue un trechinho:

Só essa pintura pode,
Com sua explosão fria,
Incitar a alma murcha,
De indiferença ou acídia.

E lançar ao fazer
A alma de mãos caídas,
E ao fazer-se, fazendo
Coisas que a desafiam.

(MELO NETO, 1975, p.18, 19)

3, Toda ouvidos: Porque Mondrian amava o ritmo do Boogie Woogie. Para ver e ouvir.

4. Mete o nariz:  Esse vaso representa a bela e constrastante combinação entre abstrato e concreto.

5. É de dar gostoo processo de criação do vestido Mondrian de Yves Saint  Laurent.

 

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