Hoje comemoro a benção de poder avaliar as minhas entradas e saídas, avaliar as minhas ações e sonhar com recomeços. Hoje sim posso dizer o quanto essa data é importante para mim. Pois, há pouco tempo, comecei a entender a relevância dessa festa entendida como a projeção de acontecimentos que ainda virão. Agora consigo apreender com mais clareza a noção do impacto desses 5777 anos desde Adão.

Penso em todos os que um dia respiraram e respirarão o Rosh Hashaná e sinto-me parte desse movimento cujo rumo há de me levar a visão do mundo vindouro.  Tudo isso enche-me de reverência e admiração pela sacralidade da vida, pela benção de poder prosseguir motivada e esperançosa, depois de saldar as dívidas que cometi para com o próximo; depois de arrepender-me pelos meus erros e de também conhecer as minhas vulnerabilidades.

Não à toa, o ano novo judaico, é também conhecido como a Festa das trombetas. Pois requer que eu esteja atenta aos sinais revelados nos tempos especiais em que vivemos, para que assim eu possa consertar as atitudes que me distanciam do Caminho que escolhi seguir. Comemorar essa e as demais festas bíblicas faz parte do manter-me a par dos planos do Criador e, assim, ajustar-me a eles.

Quero deixar com vocês a bela canção de Leornad Cohen cujo inspiração está na prece Unetanneh Tokef, recitada séculos atrás pelo sábio Rabi Amnon. A prece e a canção também fazem-me chegar à conclusão de que a máxima “quero ver você não olhar pra trás, nem se arrepender do que faz” não é uma sábia escolha . No fim de cada dia, no fim de cada ano, no contato com a vida, no contato com a morte, sei que serei instada a perguntar-me de mim mesma: “Quem neste espelho? (…) quem eu devo dizer que está chamando?

Nesse novo ano que se inicia, digo a vocês que essa é a minha história. Essa é a minha fé, que me revela o que sou, onde estou e para onde vou.

Ketiva vechatima tovah! (Que você seja inscrito e selado para um bom ano!)

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