Filmes: Argo

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Eu amo ver filmes cujo final já é sabido de todo mundo.  Estou falando daqueles baseados em fatos reais. Não são só os filmes de linha totalmente ficcional os únicos a contar com a surpresa. Aliás, a vida como ela é tende a ser a detentora das melhores cartas na manga. Não à toa, terminei o filme convicta de que Argo e toda a história que o circunda são o próprio espanto.

Instigou-me a curiosidade pelo enredo a revelar o implausível. Imagine uma ideia fadada ao fracasso posta em prática? Se você pensa ser um caso grave de estupidez rematada, repense os seus conceitos, pois a necessidade imperiosa de salvar a própria pele, minha gente, nos leva a fazer coisas que o mundo duvida. De modo que fazer com que seis diplomatas americanos, refugiados na embaixada do Canadá sediada no Irã, passem por uma equipe de produção cinematográfica de Hollywood com o objetivo de sair em segurança do país, pode ser a pior ideia da paróquia, mas, afinal, convenhamos, não tem tu, vai tu mesmo.

Ben Afflec faz o especialista em exfiltração, Toni Mendez, o dono da bendita melhor entre as piores ideias de resgate pensadas para aquela situação específica. Fiquei impressionada com o Afflec. Nunca o vi como um grande ator, mas, dessa vez, notei o quanto parece levar o ofício a sério. A introjeção do ator em um personagem que, por força da missão a realizar, se quer despercebido, foi magnânima.

Mas, no fim das contas, a história é mesmo a estrela principal do longa. É a real protagonista. Vale a pena conferir.

1. Veja Bem: O episódio relatado no filme ficou conhecido como a “Crise de Reféns em Teerã”, ocorrida em 1979. Durante o governo do presidente americano Jimmy Carter, Iranianos invadiram a embaixada americana, pressionando os EUA a cumprir a extradição do Xá Reza Pahlavi, asilado na embaixada americana desde quando da sua derrubada do poder após a revolução islâmica.

2. À flor da pele: Que filme. As mais tensas vibrações no ar, recebi-as todas a cada segundo do longa que parecia não terminar nunca.

3. Toda ouvidos: Em nome da verdade, vale mencionar o co-protagonismo dos canadenses na libertação dos fugitivos, especialmente o auxílio do embaixador do Canadá no Irã, Ken Taylor, que abrigou os fugitivos americanos em sua casa, por meses a fio e à risco de sua própria vida.

4. Mete o nariz: Argo foi lançado bem na época do trágico atentado à embaixada americana na Líbia em 2012 no que se tornou conhecido como “Caso Benghazi”. Recentemente, com as eleições americanas de 2016, O caso Benghazi voltou a circular nos noticiários. Emails da conta pessoal de Hillary Clinton, então secretária de estado de 2009 a 2013, apontam que ela sabia do perigo ao qual os americanos estavam expostos em Benghazi, na Líbia e, mesmo assim, impediu a retirada da missão diplomática de lá. No atentando morreram o embaixador americano e mais três funcionários. O lamentável episódio é também relatado no filme “13 horas – os soldados secretos de Benghazi que conta a resposta americana ao ataque terrorista.

5. É dar gosto:  As pesquisas pós-filme são uma boa pedida para se aprender um pouquinho sobre o tema. Nessas incursões, acaba-se conhecendo as omissões dos fatos e as inserções inverídicas apresentadas no longa. Por exemplo, não é em Argo que você ficará sabendo que quem negociou a libertação dos fugitivos foi na verdade Ronald Reagan, que nem presidente era ainda.

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