Guia BSB: Mondrian e o movimento de STIJL

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O CCBB Brasília abriga até o dia 04 de julho a exposição Mondrian. Passear pelas obras do pintor holandês é mesmo uma experiência curiosa, reveladora de maravilhas e de um certo incômodo. Ao menos no tocante a mim.  Mas, claro fique: não sou nem um pouco entendedora de arte e o balanço mental do que vi atrela-se à minha condição de apreciadora comum.

mondrian

Aplaudi com os olhos a estética do neoplasticismo até mesmo influenciada pela familiaridade de sua composição artística. Afinal, não foi nem uma nem duas vezes que vi as linhas abstratas, mínimas e pragmáticas representadas com ênfase no cenário pop mundial. Aliás, quem nunca? Levando em conta esse contexto, o fato é que o produto em si me agrada pela estética minimalista e moderna que carrega em seus traços. Eu penduraria um de seus quadros ou cadeiras na minha sala na boa.  Usaria uma bolsa ou camiseta estampadas com a bela arte de Mondrian e os demais representantes da escola neoplasticista na boa.

Isso posto, reconheço a influência expressiva do movimento na cultura moderna, contudo, enquanto conceito filosófico, faço minhas ressalvas. Incomoda-me a ideia de uma arte totalmente abstrata  tida como verdade espiritual absoluta.

Sou dessas que consideram moderno o que se conserva atual apesar da passagem do tempo. E gostaria de vê-los também representados em seu estado concreto. Não concebo limitar a representação da forma natural de uma flor, de uma árvore, de um passarinho, de um ser humano a esse nível máximo de abstração, por mais moderno que esse possa ser.

Fiquei espantada ao descobrir que Mondrian ocupou-se em extrair camadas e camadas das formas naturais traduzindo-as em algo de difícil compreensão, ao menos para mim.  Por exemplo, em um de seus quadros não dá para distinguir um abraço humano, mas as linhas e retas assépticas que os compõe saíram de fato de um abraço humano . Impressionante! Sim, impressiona-me a criatividade dos neoplasticistas em descontruir o óbvio e desenquadrar tudo o que se instala na zona de conforto dos sentidos. Isso não discuto e aplaudo com entusiasmo. Mas, diante de uma frase proferida por Doesburg, um dos criadores do movimento, e que bem sintetiza o que pretendiam, a saber: “vamos despir a natureza de todas as suas formas e o que restará é somente o estilo”, descobri-me nada pragmática. Sou ultrarromântica. Não abro mão de uma dose saudável de sentimentalismo, da diversidade das cores e das curvas a representar as formas originais. Não descarto Mondrian e sua arte. Indiscutivelmente geniais. Mas, não compro a doutrina. Simples assim: como uma linha reta.

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colagem Mondrian 1. Veja bem:  A exposição apresentada de forma sintética e didática. Clique aqui e veja rapidão.
2. À flor da pele: Muito bem pensada a poesia de João Cabra de Melo Neto; é como um quadro de Mondrian. Segue un trechinho:

Só essa pintura pode,
Com sua explosão fria,
Incitar a alma murcha,
De indiferença ou acídia.

E lançar ao fazer
A alma de mãos caídas,
E ao fazer-se, fazendo
Coisas que a desafiam.

(MELO NETO, 1975, p.18, 19)

3, Toda ouvidos: Porque Mondrian amava o ritmo do Boogie Woogie. Para ver e ouvir.

4. Mete o nariz:  Esse vaso representa a bela e constrastante combinação entre abstrato e concreto.

5. É de dar gostoo processo de criação do vestido Mondrian de Yves Saint  Laurent.

 

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