Antes calar o dia invernal onde cantam as minhas queixas. Ver mais com os olhos de dentro as luzes douradas nascendo nas fímbrias das pesadas nuvens. Jamais me desesperar. Mas acolher o que passa e perece até que se insinue o reverdecer dos campos e tudo renasça.

Que a cada respiro, paradas e caminhos, os meus ares de rei partam para longe. Que voltem em desalinho, com pés sujos trazendo a experiência da criança dentro de mim; sabendo-me mais próxima à fonte, mais íntegra e interessada em prolongar a vida.

Que o “logo mais, no mês que vem” das resoluções de ano novo caiam, como o peso morto que são, e deixem de significar importância. Que o urgir dê lugar ao aquiete-se, ao calar dentro, ao silêncio de mim. Que as sementes dos anos passados encontrem respostas em terreno preparado. Que os próximos anos sejam colheitas, descansos e preparo para o que há de vir. E que o meu mundo interno não se rompa em face dos desequilíbrios externos.

Eu só quero o pouco. Um dia de cada vez. Com coragem e trabalho. Com as manhãs renascendo as misericórdias do Eterno. Eu só quero aprender a passar. E ter zelo do que tenho feito de mim.

Não me atrevo a fazer planos. Todos se provaram vãos.

Hoje quero os planos d’Ele.  Pois são infinitamente melhores que os meus.

 

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