Livros: Simples assim, Martha Medeiros 

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Sabe quando um livro te conquista pela capa? Achei-a tão ilustrativa e muito afinada com a proposta da obra em questão. Para quê complicar aquilo que é simples?  Quer simplicidade maior do que sair por aí de bicicleta deixando o vento bater na cara e respirando liberdade?

Ainda que a capa fosse pouco atrativa, mesmo assim apostaria neste livro pelo simples fato de ser escrito por uma das cronistas contemporâneas que mais admiro: Marta Medeiros.

A começar pela capa,  o leitor estabelece o primeiro contato com a dinâmica que a autora imprimirá em sua narrativa de crônicas. Porque é disso que trata o livro: crônicas sobre assuntos que nos são próximos e que nos afetam negativa ou positivamente.

Marta é direta com as palavras, sem subterfúgios, manda o recado. Sempre que leio seus escritos, penso que estou em uma conversa entre amigas. E saio sempre revigorada após lê-la.

 “Simples Assim” trata do dia a dia, do cotidiano das nossas vidas, que não passa despercebido pelo olhar atento de quem tem a capacidade de observar e retratar a complexa teia dos acontecimentos de forma simples, não se abstendo de uma análise crítica e bem-humorada dos fatos.

De assuntos domésticos, experiências de viagens, livros lidos a músicas ouvidas, a autora transita pelos mais variados temas  com desenvoltura e nos brinda com suas colocações antenadas. Destaco aqui algumas:

Ao abordar temas amenos, como em “As balas da infância”, Marta escreve:

 “Sempre tive tara por bala de morango, ou de frutas vermelhas, ou de qualquer coisa vermelha: cereja, framboesa & família. Eram as minhas preferidas entre as balas azedinhas. As azedinha iam comigo ao cinema e também adocicavam as noites de sábado em que eu ficava em casa – eram minha droga lícita”

Marta,  sempre preferi as vermelhas. Concordo com você que elas são mais saborosas.

De balinhas ao conceito de felicidade é só um pulo. Em “quanta felicidade eu aguento?”, a autora assim a define:

“Felicidade não tem a ver com oba-oba, riso frouxo, vida ganha. Isso é alegria, que também é ótima, mas que não tem a profundidade de uma felicidade genuína que engloba não só alegria como a tristeza também.

Que definição sincera para felicidade. É para poucos. Pare e reflita. Constato que muitos escrevem sobre a felicidade, porém poucos a entendem de fato.

E brinca com aquela propaganda cujo bordão “desapega” pegou, lembra? Essa aqui ó!

Sobre a leveza, a atoura a define como “uma conquista da maturidade” e encerra assim a crônica “Fiz um bom negócio”:  (..) .a gente abre mão do nosso velho e rançoso discurso de sabe-tudo, e, em troca, a vida nos devolve a graça e delicadeza. Para que carregar tanto peso, tanta certeza, tanta ilusão? Desapega, desapega.”  

Com esse trecho,  que tem tudo a ver com o que nos propomos aqui neste espaço, finalizo o post.

Inspirada nas inúmeras referências que Marta nos apresenta em sua obra, convido você a brincar com os sentidos.

1 – Veja bem: Londres com todos seus encantos em fotos belíssimas neste perfil do Instagram. Já foi a Londres? Eu ainda não. Quem sabe um dia. Por enquanto, sacio o meu desejo vendo as fotos e recordando o trecho da crônica “Londres em retalhos” que diz: 

“(…) Londres está mais solta. (…)Continua majestosa em sua arquitetura, com museus de tirar o fôlego (…) e com parques cujo paisagismo você jura que ficou a cargo de algum pintor impressionista (…).”

2 – Toda ouvidos: Em 100% Satisfaction, ela declara sua dificuldade em escolher entre Stones e Beatles.  Stones, nas palavras de Marta, são “definitivamente roqueiros. Há 50 anos oferecem mais do mesmo, e nenhum problema em não mudar”. Já os Beatles “passam longe do obsceno. Fundadores de um estilo único, experimental, poético e sofisticado” E você? Tem predileção por qual das duas bandas? Para facilitar ou não selecionei uma música de cada uma. Ajuda? Stones  ou Beatles?

3 – Mete o nariz: Fiquei curiosa para ler o livro citado por Marta na crônica “Troca íntima entre estranhos”. Quem sabe você também não se interessa? Olha só o que diz a cronista: Pequenas delicadezas não explora as chorumelas do amor nem pretende ser um oráculo. Apenas confirma que viver não é fácil, mas é o que temos para hoje”. De quebra, descobri outro livro citado por Marta na mesma crônica, da mesma autora, Cheryl Strayed, que me deixou bem interessada em saber como foi a experiência de se isolar do mundo e percorrer sozinha uma trilha nos EUA. Neste booktrailer, Cheryl relata, de forma sucinta, o que o livro Livre aborda. Ah, e tem um filme inspirado na obra

4 – À Flor da Pele: Emocionou-me o trecho da crônica “Um mergulho no oceano” que diz: “E a analfabeta digital não passou vergonha com seu caderno e caneta, mesmo cercada por colegas equipados com tablets e laptops. Não conheço recurso mais eficiente para reter e decorar informações do que escrevê-las à mão”. Habituei-me com a digitação quer seja no computador, no tablet ou laptop, mas nada substituí os bons e velhos lápis e caderno. Para esse ano:  escrever mais e fazer bom uso dessa dupla da escrita.

5 – É de dar gosto: “Sebastião Salgado, fotógrafo brasileiro reconhecido mundialmente , que, com seu atual ensaio chamado ‘Gênesis’,  em exposição no  Museu de História Nacional Natrural, eleva ainda mais o status  da fotografia como obra de arte”. Não é necessário dizer mais nada. Apenas assistam ao vídeo, em inglês.

 

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