Papeando: Blogs, por que os leio e os escrevo?

- Papeando

Roman Drits

Separamos esse espaço para colocar em circulação um artigo que, com o passar do tempo, foi rareando nos meios online: aquele bom dedinho prosa. Lembram-se da era pré web 2.0? De quando éramos uma teia de gente conectada no interesse de conversar? Pois é. O papeando é pra isso.”Conversar” com os posts que nos inspiram, posts que vamos compilando em nossas navegações na internet. Afinal, seguir e curtir não são as únicas interações possíveis, meus caros. Mais do que a conexão entre sites e links, a ideia é sobrelevar o encontro de ideias e celebrar o estar junto, seja longe ou perto. Traduzindo em miúdos, bora trocar figurinhas?

Para marcar o início desse momento, quero trazer pra vocês um texto que me deu muito o que pensar: Quem lê blogs hoje em dia?, escrito pela Maki do blog Desancorando.

Eu! Eu os leio. Não da forma onívora e indiscriminada com o que o fazia no passado. Hoje mais  dada ao critério e à seletividade, prefiro ler os blogs que apresentam a escrita na veia. Eu sou amante da escrita, portanto, natural que eu dê para leitora de blogs assim, não é mesmo?

Tendo a gostar dos blogs que se mostram com as suas roupas caseiras. Porque, com a urgência em atender as demandas estatísticas, difícil mesmo é ser natural. À vista da indiscutível audiência dos canais do youtube, acho que sou o nicho dos nichos de muitos blogs por aí, com essa pegada tendendo mais para o escritural e o pessoal.

Mas, com toda a minha falta de jeito, sou blogueira também.

O Sentindo de leve aqui está como que para responder a uma necessidade nova do meu coração. Os blogs nascem assim, não é? Mas, no multiverso de urls da internet, eu também quero o meu bocadinho de atenção. Claro. Não há nada de novo sendo dito aqui.

Ocorre que um bocadinho de atenção equivale à léguas de chão. Como não sou nenhum papa-léguas, vou no sapatinho, buscando fazer o reconhecimento do território.

Com isso tenho visto que, dado o fato de que o conteúdo visual tem estado cada vez mais em voga,  sobra a impressão de que a palavra escrita está fora de moda. Por absurdo que soe, foi a opinião que li certa vez de um entendido de mídias sociais. Bom, de ativos visuais, sou pobre. Não tenho youtube, snapchat, instagram…etc,etc…mas, o que isso quer dizer? Que estou feita com essa minha carência de tudo o que anda bombando?

Não tê-los não é nada que me ponha fora de condições de me expressar, de mostrar que existo. Sou do tipo que não acha que o texto cansa. Jamais o considerei bocejante. Mesmo porque as palavras contêm imagens, elas são imagens, têm a sua plástica própria, e são atraentes por si só. Mesmo assim, não custa nada estudar sobre conteúdo visual para aplicá-lo futuramente nas atividades que hoje realizo, pois é sabido ser um ótimo complemento ao texto.

E não me interpretem mal, amo imagens. A propósito, Pinterest é a minha rede social favorita.

Mas, no tocante aos blogs, o que se põe em foco é o valor atribuído ao argumento. No blog há uma estrutura propícia para que as ideias sejam mais bem maturadas, para que existam e perdurem à medida em que são lidas, citadas, compiladas, lembradas…bem na contracorrente do instantâneo. O que me apraz na mídia texto é o poder deixar coisas feitas para permanecer; é o refugiar na escrita, chorar, gritar, tagarelar, e isso tudo com silêncio. E vou dizer: o mundo pode não ter a consciência disso, mas ele precisa do texto.

Os próprios sites de buscas requerem as deixas certas para que aquilo que de fato desejamos ler entre em cena. Gosto de pensar que, entre buscas e buscas, há de haver quem busque a revelação, quem busque a crisálida pressentindo a borboleta, quem busque as janelas escancaradas para as palavras.

Escrever um blog é isso: abrir janelas para as nossas palavras. É isso que recompensa a minha total falta de jeito.  As métricas, no fim das contas, ficam pra bem depois, pois pensamentos não se trocam em moeda corrente. Aliás, perceba: não é sobre ter influência, mas responsabilidades. Não são apenas palavras, mas o discurso do nosso ser.

O desafio é ir além do eu. Não temer as frustrações. Pois fazem parte do processo. Aliás, a frustração é uma ótima professora. Ajuda-nos a valorizar a felicidade alcançada que não vem a toque de caixa, apesar de vivermos em um mundo em que a gratificação instantânea é buscada 24 horas por dia.

A alegria de ter um post lido vem depois de posts e mais posts com zero visualizações. Nada a temer nesse processo se o gosto pelo que se faz for sincero.

Não vou explorar o assunto motivação agora. Em suma é o seguinte: é preciso saber trabalhar. Continuar, mesmo  quando der com a cara na parede. Cá de mim, continuo ensaiando…

Quer saber o meu repertório? passeio, vejo, como, bebo, durmo, escuto, me apaixono, amo e depois escrevo. O que não me faz nem mais, nem menos especial.

Na dúvida? Continuo fazendo.

Fazer, fazer, fazer, fazer é o grande dom da paciência. E isso é puro movimento. Nada mais recompensador do que saber que, em alguma realidade, o que dizemos aqui é  escutado lá, agora ou em qualquer tempo.

Quando criamos o Sentido de Leve, escrevi as seguintes palavras a titulo de lembrete a mim e a minha irmã do  que, não importam as circunstâncias, continua valendo (clique aqui para ler na íntegra):  

Que curta os sentidos de cada dia, sentindo de leve.

Sem apressar a festa.

Pois tempo há de sobra, não tem pressa“.

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