Projeto Ilha Deserta: O conto da ilha desconhecida, José Saramago

- Projeto ilha deserta

Cá estou eu. A nossa ilha invadiu a Ilha Desconhecida de José Saramago. Parece um início de texto meio redundante para você? Pois é, mas foi esse o convite proposto por ele para mim.

Receosa, peguei-me fazendo a mesma pergunta do personagem do conto por ele criado: E que ilha desconhecida é essa de que queres ir à procura .

Saramago, que ilha é essa afinal?

Seria um conto sobre sonhos impossíveis: a busca por uma ilha desconhecida?

Enfim, apostei nesta viagem e lá fui eu para a ilha de Saramago. O trajeto foi curto, porém intenso. Percorri os caminhos traçados pelo autor e confesso que foi uma experiência intrigante. Sentei, tomei fôlego e fui. Porque o conto de Saramago é sem parágrafo. Quando viu, já foi. Piscou, acabou. Simples assim.

Após a leitura, restaram interrogações na cabeça. Isso é ruim? Absolutamente que não. Gosto de livros que instigam e me levam à reflexão.  O que foi possível constatar com toda essa história?

  • A ilha não é um lugar cercado de água com uma terrinha e coqueiro no meio. Ela tem cabelos, olhos, mãos, braços e pernas. Eu sou essa ilha a ser descoberta. São tantos os pontos recônditos  por descobrir e  creio que jamais serão descobertos todos.

“E essa ilha desconhecida, se a encontrares, será para mim, A ti, rei, só te interessam as ilhas conhecidas, Também me interessam as desconhecidas quando deixam de o ser, Talvez esta não se deixe conhecer

  •  Peguei-me pensando sobre a seguinte questão: nesta jornada em busca do desconhecido, muitas são as vozes que nos farão desistir de nossos sonhos e nos induzirão a pensar que tudo não passa de delírios, loucuras que dão e passam. No entanto, se há a firme intenção de sair em busca de encontrar algo, vá. Estacionados, não fazemos nada. (Pequena pausa para comentário: Calma, que não se trata de autoajuda. É apenas uma constatação). Óbvia, por sinal.
  • Enxergar de forma diferente o que está ao nosso redor e, surpreendentemente, descobrir algo novo. Porque não? Exercite!

(…) deste modo que o destino costuma comportar-se conosco, já está mesmo atrás de nós, já  estendeu a mão para tocar-nos o ombro, e nós ainda vamos a murmurar, Acabou-se, não há mais  que ver, é tudo igual.

Essa sensação de não finitude da obra é o que sobra da leitura, ou seja, ao me debruçar sobre a narrativa, mais e mais pontos de interrogação foram surgindo. E, inevitavelmente, os questionamentos acerca do homem, suas aspirações, sonhos e devaneios continuam. O livro me tocou justamente por esse motivo, pois traz à tona temas que nos são afins.  Afinal,  todos nós vivenciamos em nosso dia-a-dia o que Saramago expõe neste conto de forma sutil.

Cabe a você encaixar as peças que podem, por vezes, parecer desconexas. Admirada estou com a perspicácia do autor que não entregou o sentido da história. Inteligentemente construiu uma narrativa que, em um primeiro momento, não faz sentido, mas  é repleta de mensagens. Por fim, compreendo que a arte da escrita está em não  oferecer as conclusões de mão beijada. Penso ter descoberto nesta viagem a minha ilha, Saramago.

Com isso não quero dizer, caro leitor, que o meu entendimento seja o seu entendimento. Certamente os que já leram e os que ainda lerão a obra trarão compreensões distintas sobre o que ali está escrito. E isso é maravilhoso!

Proponho a você, que nos lê, embarcar neste navio e conhecer os personagens deste conto e que nos são tão próximos. Você nem imagina o quanto.

E aí, bora? O navio parte em breve para mais uma viagem rumo à Ilha Desconhecida.

 

Essa leitura integra o desafio literário Projeto Ilha Deserta. Saiba mais sobre o projeto aqui.

Leia a nossa impressão de leitura referente ao primeiro mês do Projeto. A metamorfose, Kafka;

Leia a nossa impressão de leitura referente ao segundo mês do Projeto. Quincas Borba, Machado de Assis;

Leia a nossa impressão de leitura referente ao terceiro mês do Projeto: As Reinações de Narizinho, Monteiro Lobato.

Leia a nossa impressão de leitura referente ao quarto mês do projeto: Madame Bovary, Gustave Flaubert

E saiba mais sobre o livro que inspirou o projeto Ilha Deserta aqui.

 

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