Projeto Ilha Deserta: Quincas Borba, Machado de Assis

- Livros, Projeto ilha deserta

capa-ilha-desertaSegundo mês na ilha, e por aqui, os ventos não estão favoráveis. Após a leitura de Quincas Borba, densas nuvens pesam sobre minha cabeça. A sensação pós-leitura não foi nada boa. Imagine! Estou aqui a curtir meu paraíso particular, e de repente o livro expulsa de mim a alegria do passatempo. Falando em Paraíso, só consigo pensar na primeira noite de Adão e Eva quando tiveram que confrontar com a escuridão nunca antes vista, nunca antes vivida. Mal consigo dimensionar a angústia que ambos experimentaram. E isso também me deixa muito triste. Contudo, me lembro de que, até nesse episódio, o qual atribuo como sendo a maior tragédia da humanidade, há a esperança e o triunfo do bem. Como então conceber que em “Quincas Borba” haja a desesperança como realidade única e inexorável?

O mais curioso é que o título Quincas Borba, por razões pessoais, remetia-me à alegria.  A título de gracejo, costumava chamar Eliaquim, o meu irmão caçula, Quincas Borba. Quando penso em Quincas, penso em meu irmão. Penso em coisas boas. Não esperava encontrar tanto pessimismo nas linhas escritas por Machado.

Diante dessa afirmação, confirma-se a minha completa nulidade em assuntos machadianos. Li Memórias Póstumas de Brás Cubas na infância, com o fim de cumprir ritos escolares cujos prazos de entrega eram bem apertados. Lamentável a leitura feita dessa maneira, e o resultado disso é que me lembro de pouquíssima coisa do conteúdo e do estilo do autor. A lembrança que permanece é a do quanto a leitura corria fluida do inicio ao fim. Dessa vez, não foi diferente, mas…

Quem leu sobre o propósito desse desafio literário, sabe que a escolha dos livros pautou-se nas indicações dos autores partícipes da coletânea “Ilha Deserta: Livros”. Se a lista contemplasse a minha própria escolha, hesitaria em levar obras cuja história desvelasse o desencanto. Creio que uma ilha deserta, mesmo que em um exercício imaginário, não seja o lugar mais indicado para me cercar do pessimismo.

Na maior parte das vezes, peguei-me a ler o livro ora admirada, ora confusa, porém, nunca indiferente.  No entanto, não houve concordância de alma, pois a minha leitura de realidade difere da cosmovisão machadiana a transformar gestos genuínos de bondade e generosidade em atos  infrutíferos e a reduzir a carreira do homem a um fim de loucura, indiferença e egoísmo.

Ao término da leitura, Rubião e sua triste condição deixou-me com um travo amargo na boca. Dona Fernanda foi um desafogo, pena que de passagem vã, uma vez que, na trama, a generosidade é de pouco impacto. Daí a razão do meu desacordo com o teor da narrativa. Não obstante a intenção realista presente na obra,  persiste em mim a convicção de que, embora o mal jaza à porta, o bem não é uma ciência tão difícil de ser posta em prática como supõe o narrador.

Tha’s all.

Daqui da ilha, sigo a descobrir a literatura. Até mais.

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Essa leitura integra o desafio literário Projeto Ilha Deserta. Saiba mais sobre o projeto aqui.

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