Quadrimania: Três quadrinhos para pequenos e adultos lerem juntos

- Quadrimania

Recentemente li três quadrinhos estrangeiros, todos da Editora Nemo, que me fizeram lembrar a minha infância. Ao lê-los, me vi em um filme: criança, sentada no sofá da minha casa, me divertindo com as aventuras de Mickey e sua turma, da Mônica e sua galera, da Luluzinha e seus amigos. Personagens que, nos momentos de quietude, me faziam companhia e me divertiam bastante.

Um dia, quando menos esperava, me vi adulta e já não fazia as coisas de criança, como ler gibis, por exemplo. Esses encontros, rigorosamente marcados com os meus amigos imaginários, não ocorriam mais com tanta frequência.

E me peguei perguntando: quadrinhos é coisa de criança? SIM! – grita a criança interna que vive aqui. Pausa para um breve pronunciamento:

Gente, o Ministério do Sentindo de Leve recomenda: ler quadrinhos é um hábito saudável e bem divertido.

Após as divagações desta criança que vos escreve, retomo o post do ponto de partida. Os quadrinhos estrangeiros, lembram? Três histórias distintas com muitos aspectos em comum e que merecem ser lidos por crianças de 8 a 80 anos.  Vamos a eles?

 

Crianças da Sombra

Esse me conquistou pela capa. Lembram quando falei em outro post que uma bela embalagem vende o produto? Aí está um exemplo: a ilustração da capa me cativou e lá fui eu embarcar na história de Mestre Wang. Um senhor simpático que está em busca de um lugar tranquilo para se dedicar à pintura e à arte da caligrafia. Como nem tudo é calmaria, antes ele se envolverá com questões sérias que o chamarão a modificar a realidade do local onde pretende fixar moradia.

Para uma sinopse mais detalhada da história, você pode clicar no site da editora. Interessa relatar a forma como o tema, denso e polêmico, foi tratado neste quadrinho. Percebi que os autores buscaram discuti-lo com leveza e sabedoria. Sinteticamente, a história aborda o controle da natalidade imposto pelo governo às famílias chinesas. Em torno deste tema são desenvolvidas as demais histórias que compõem a narrativa.

E aqui, vale mencionar a importância do ilustrador para contar a história. Adentrei às folhas ilustradas do quadrinho e afirmo que a experiência foi um deleite. Os desenhos, bem acabados, retratam com perfeição o desenrolar dos fatos. Transportei-me para o interior da China e pude experienciar as aventuras vividas pelos personagens. Aqui você encontra elementos para uma boa história: amor, respeito às tradições e aos mais velhos, juventude,  cultura chinesa e a dose certa de conflitos para manter a atenção do leitor à medida que viaja nas aventuras de Mestre Wang.

 

A Narradora das Neves – Uma aventura no país Inuit

Da China para uma região gélida do Grande Norte. Conheci a história da destemida jovem Buniq. Os elementos destacados no quadrinho anterior estarão presentes aqui também, embora a trama desenvolvida seja completamente distinta da apresentada em Crianças da Sombra.

Buniq quer se tornar uma grande narradora de histórias e, para isso, terá que  sair de sua aldeia rumo a uma jornada “para explorar o país dos homens, para buscar belas histórias que ninguém conheça”, como ela própria define a sua missão.

E nesta viagem, ela terá por companhia seu velho avó Ukioq e seu “amigo” Taq. A experiência e sabedoria dos mais velhos aliadas à ousadia e coragem dos mais jovens.  Já deu para perceber que essa viagem tem tudo para render boas aventuras e grandes aprendizados, não é mesmo?

Portanto, se aceita um conselho, aí vai: esqueça os afazeres e se jogue nesta história. Você certamente entenderá que a vida é muito curta e que ao final, o que vale mesmo são as  experiências vividas ao lado de quem amamos e, arrisco dizer, até daqueles que toleramos,  pois nos tornamos melhores como seres humanos.

 

Waluk

O último quadrinho, não menos envolvente, narra as aventuras de Waluk. Ele não é humano, o personagem principal é um urso que leva o nome do quadrinho em questão. Ao se ver na condição de órfão, sozinho no mundo, precisa aprender logo cedo como enfrentar os desafios da vida. Para isso, contará com a companhia e ajuda do velho urso Esquimó.

O argumento não é original, porém a história não perde nem um pouco o mérito. Reforçada por traços belíssimos, o quadrinho apresenta uma história encantadora e envolvente de superação. Impossível é não se envolver com Waluk  à proporção  que se acompanha suas aventuras. Finalizada a leitura, fica a reflexão: quem tem um amigo, bom e fiel, tem tudo.

Se você gostou do que leu, a última dica: é possível ler os três quadrinhos em menos de uma hora, pois as histórias são curtas. E se quiser uma pequena amostra de cada um deles, basta clicar nos links abaixo:

As crianças da sombra 

A Narradora das Neves – Uma aventura no país Inuit   

Waluk

 

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