Após tirar essas conclusões e resolver, no futuro, sempre agir com o máximo de bom senso, Catherine não tinha mais nada a fazer além de se perdoar e ser mais feliz do que nunca. E a mão clemente do tempo fez muito por ela trazendo imperceptíveis gradações de tranquilidade ao longo do dia seguinte. A extraordinária generosidade de Henry e a nobreza de sua conduta em jamais mencionar o que se passara foram de grande ajuda. Mais cedo do que Catherine poderia supor no início de sua agonia, seu ânimo retornou, e ela ficou perfeitamente confortável de novo, sendo capaz, como antes, de se sentir melhor graças às coisas que Henry dizia. Ainda havia alguns assuntos que a assustavam – a menção de um baú ou de um armário, por exemplo -, e ela detestava ver qualquer móvel feito de verniz da China. Mas até mesmo Catherine admitia que uma lembrança ocasional de sua tolice teria lá sua utilidade.

A Abadia de Northanger, de Jane Austen

Esse trecho sempre serve-me de consolo e orientação quando cometo atos tolos e injustos. A certeza de quão bom é andar em linha reta leva-me, assim como a heroína, a encarar tais tolices como marcos que, quando revisitados, me instruirão os limites e a importância do agir responsável. Errei. Não me culpo. Responsabilizo-me. De quebra, todo esse esforço ajuda-me a ser mais compreensiva diante das falhas alheias. Fica a dica. Nada como sentir-se livre do desespero gerado pela agonia da culpa. Por isso, amo esse trecho.

Fan Art: Flominowa.

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