Descomplicar a vida e os seus termos. Provar o conteúdo das minhas escolhas, mesmo que me doa. Seja o que for, confiar que ainda há caminhos abertos.

Enquanto espero, faço-me flor em roupas de paz e sossego. E guardo a inquietude para quando for preciso correr ao encalço do que é pra ontem.  

Descomplico-me, mas não me limito. Mantenho à vista o que ainda não sei. E passareio recolhendo os materiais que a vida dá. Deles crio abrigos para onde eu possa voltar. 

Descomplico-me, mas não me retenho. Abandono a vida ao sabor dos muitos temas a explorar.

Pois os caminhos não se esgotam enquanto há vida. Não se esgotam nem mesmo quando acaba. 

Aprendi que há para nós um destino final que não é para quando acaba, mas para quando se retorna à origem.

Já foi dito que entre o céu e a terra, há mais do que supõe a nossa vã filosofia. Esse “mais” é mesmo muito mais.

É o que está eternamente próximo à vida.  

É o destino final de uma vida inteira que precisa morrer para realizar aquilo para o qual foi verdadeiramente chamada: viver. 

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