Como calculo mal! Achava que o maior dos meus problemas é a falta de tempo. Hoje recebi um não inteiro e inequívoco. 

Não é a falta de tempo, e sim a teimosia em viver o que não aconteceu.  

Não sei vocês, mas é sempre com o instante seguinte que me ocupo. O instante que criei na soberba de presumir que tudo já está pronto conforme o imaginado. Existirá o instante em que poderei respirar com o alívio a minha libertação do agora?

Sei a resposta. 

A isso chamo pressa.  Tolice também é um nome que lhe cai bem! Impaciência é o mais adequado. 

Meu nome é apressada e envenenei-me com a impaciência.  

É esse o terreno onde mais caio. É por onde tenho andado todos os meus dias. 

Tantas quedas no mesmo ponto me levam a crer que fui criada para consertar esse assunto em minha alma. 

Eu e a impaciência juntas não dá mais. Cada uma há de ir para o seu lado.  

Eu a tratar da vida com bondade e gentileza e a impaciência que siga para casa do beleléu. Já viveu demais em mim. Basta! 

Afinal, creio na superioridade da inteligência sobre a tolice.  

E eu quero ir vivendo pra frente. Não como quem se preocupa com o dia de amanhã.

Eu quero ir vivendo pra frente como quem, em meio ao caos do hoje, sabe que tudo está bem mesmo assim. 

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